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P: Consegues imaginar num comício de campanha de Manuel Alegre com a participação de José Sócrates? (Votação terminada!)

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De boas intenções está o inferno cheio

Já tive oportunidade de escrever várias vezes sobre a quem pertence a responsabilidade da actual crise financeira que abalou o Mundo e, consequentemente, Portugal.

Evidentemente que, a nível interno, a crise tem a sua origem na incapacidade dos diferentes governos em priorizar a intervenção política para um desenvolvimento sustentado da economia, colocando esta ao serviço das populações.

Ao invés, os diferentes governos que temos tido delapidaram os fundos vindos da União Europeia em obras de utilidade mais do que duvidosa, como estádios de futebol construídos onde não têm utilização, ou auto-estradas que se verifica não fazerem sentido dada a fraca densidade de tráfego.

O Estado comportou-se como se de um país rico se tratasse, comprometendo-se com despesas faraónicas do tipo da compra de submarinos e das participações militares.

Os bancos, mercê de uma publicidade tão asfixiante como enganadora, promoveram o endividamento das famílias a níveis incomportáveis.

Nessa fase, a que se poderia chamar das vacas gordas, não se ouviam conselhos em contrário dos que hoje aparecem como portadores de toda a verdade e senhores de de todas as certezas.

É falso que não tenha havido alertas para a situação que se avizinhava. Baste ler as actas da Assembleia da República para verificar a quantidade de vezes que alguns deputados da oposição de esquerda foram acusados de arautos da desgraça e de pessimistas, entre outros “mimos” do mesmo género.

É, igualmente, falso que não tenham sido apresentados programas alternativos, propondo que se encaminhassem os fundos para o investimento e para a modernização. No vórtice consumista ninguém ouviu, nem quis ouvir.

Em 2008, as mesmas agências de notação financeira, a Fitch, a Standard & Poor’s e a Moody’s, que agora se manifestam tão rigorosas com os países como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (a que depreciativamente apelidam de PIGS), avalizaram produtos financeiros que se verificaram ser desastrosos (os chamados tóxicos) que levaram à falência de bancos e à instabilidade financeira que conhecemos e à consequente crise social que vivemos.

Até hoje, apesar de todas as promessas e declarações de intenção, não se verificaram quaisquer alterações nas condições de supervisão por parte dos bancos centrais nacionais nem do Banco Central Europeu, que visem impedir a continuação da especulação financeira fraudulenta que desencadeou a crise.

As únicas preocupações dos eurocratas têm sido o apoio aos banqueiros e aos bancos que foram causadores da crise, obrigando os países mais debilitados e enfraquecidos a cobrir os débitos das instituições arruinadas.

Foi o que se verificou no nosso país, com o BPP e o BPN, a quem o Estado, prontamente, prestou auxílio, em detrimento das pequenas e médias empresas, e, até, dos cidadãos.

Enquanto se despejavam nos cofres daqueles bancos quatrocentos e cinquenta milhões de euros, em nome da necessidade de não deixar cair o sistema bancário, promovem-se cortes nas despesas sociais e no investimento público, contribuindo assim para impedir o crescimento da economia.

As despesas públicas têm de ser racionalizadas e cortado tudo o que for supérfluo. Não é possível é proceder aos cortes, precisamente, onde não devem ser feitos, isto é, na saúde, da educação e no apoio social.

A direita, visando destruir todo o edifício do Estado Social criado no pós-25 de Abril, propõe, como panaceia universal, a privatização de tudo o que ainda pode permitir ao Estado intervir socialmente na economia.

Pedro Passos Coelho aparece como o campeão do neoliberalismo, seguindo a escola dos economistas que se propõem acabar com o Estado Social criado no pós-guerra, na Europa. Este tipo de medidas já foram ensaiadas, por exemplo, no Reino Unido da Sra. Tatcher com resultados desastrosos e estão agora a ser tentadas na Alemanha e em França. Na Europa as respostas populares ainda só agora se começaram a fazer sentir, com a diminuição da popularidade destes líderes nas eleições internas.

As propostas que vemos ser afloradas pela direita, aliás oriundas de um grupo de “sábios” coordenado por Paulo Teixeira Pinto, o mesmo que foi corrido do Banco Millenium/BCP (com uma reforma de nababo), não auguram nada de bom. A alteração da Constituição da República visa criar um sistema político substancialmente diferente daquele que, apesar de tudo, tem servido a democracia portuguesa. É preciso saber o que, realmente, está por detrás destas propostas.

Esperamos que os nossos concidadãos não se deixem iludir com falsas promessas “modernistas” revestidas de palavras e ideias ocas.

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Criado em: 2010-07-26 00:28:13
Autor: Ferreira dos Santos
8 de Julho - Dia Nacional de Protesto e Luta

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Criado em: 2010-07-08 00:40:14
Texto lido na Mesa Nacional do Bloco em 3 de Julho de 2010

Camaradas,

O Bloco de Esquerda, que ajudei a criar, os princípios que aprovamos, a linha política socialista que temos vindo a defender, continuam a ser a minha referência, enquanto organização política e de intervenção.

Como no Bloco de Esquerda, e muito bem, não existe centralismo democrático, sempre que discordo de alguma tomada de posição no BE tenho manifestado essa discordância, de forma aberta e frontal, quer individualmente, quer através da Esquerda Nova, tendência estatutariamente organizada no nossos movimento, que integro.

A apressada e extemporânea declaração de apoio à candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, despoletou forte discordância em muitos militantes do BE.

Ao contrário do que tem sido afirmado, a VI Convenção Nacional do BE, não discutiu e muito menos tomou decisões sobre o apoio a qualquer candidatura presidencial.

Continuo a considerar que foi errado o condicionamento da decisão da Mesa Nacional, com a declaração de apoio, feita antecipadamente, de forma apressada e através da comunicação social.

Daí ter subscrito, juntamente com mais 300 camaradas, o pedido de convocação de uma Convenção Extraordinária que levasse à discussão e à deliberação da candidatura a apoiar pelos aderentes do Bloco de Esquerda.

Continuo a pensar que essa teria sido a medida democrática mais acertada para dar voz aos aderentes bloquistas neste caso, mobilizando os mesmos.

É sabido que, em Portugal, o Presidente da República não governa, mas tem poderes de nomeação do primeiro-ministro e de dissolução da Assembleia da República.

Uma esquerda que não se pretenda completamente institucional não pode subvalorizar as eleições presidenciais, mas também não pode e não deve comprometer-se de tal modo com elas que deixe de ter margem de manobra para os combates presentes, contra o capitalismo selvagem, que procura destruir o Estado Social e põe em causa a democracia que fomos construindo desde o 25 de Abril.

A massificação e o alargamento das lutas deverá constituir o primeiro objectivo de uma organização como o Bloco de Esquerda. Tenho sérias dúvidas sobre se essa massificação e alargamento passam por umas eleições presidenciais…

A proposta da consigna de construção de uma Maioria Social de Esquerda mantém-se perfeitamente actual e a forma de a concretizar é no terreno das lutas que vão surgindo e não em acordos de gabinetes.

As presidenciais só podem ser olhadas como mais um factor na construção desta maioria social e não a sua concretização.
O Bloco de Esquerda tem que, de uma vez por todas, procurar antecipar-se aos acontecimentos e preocupar-se em criar raízes lá onde as lutas populares estão a eclodir.

Desta forma o Bloco ganhará o reconhecimento e a aceitação de sectores da população pouco politizados ou que têm seguido a chamada social-democracia, dando-lhes uma perspectiva nova e alternativa e não comprometendo-se com candidaturas conjuntas cujo processo não é de fácil explicação.

Nesta iniciativa de tentar a convocação de uma convenção extraordinária tive oportunidade de contactar com muitas dezenas de camaradas do Bloco e de verificar o estado de desagrado que se verifica face à situação a que o nosso movimento chegou do ponto de vista organizativo, que leva ao afastamento de camaradas a um ritmo preocupante.
 
Os camaradas sabem, tão bem quanto eu, que as mais de 300 assinaturas apresentadas são mais do que suficientes para convocar uma Convenção. O que fazemos constar acerca de sermos mais de 8.000 aderentes só pode ser entendido como propaganda. Todos sabemos quantos aderentes intervieram na última Convenção, todos sabemos quantos aderentes votaram nas últimas eleições para as distritais. Nesta Mesa Nacional o que deveríamos ter era informação fidedigna do número real de aderentes, a par do compromisso da sua confidencialidade. Entre nós deveríamos distinguir a informação e a propaganda. Tais procedimentos ajudariam a cimentar a confiança entre nós.

Muitos destes camaradas subscritores do pedido de convenção extraordinária não são aquilo a que de uma forma insultuosa e altamente sectária tem sido chamados por alguns camaradas de “o lixo do Porto” ou “os malucos de Ovar” ou do Algarve. Tais epítetos dizem bem do estado a que chegamos em termos de discussão política.

Muitos dos camaradas que assinaram a petição representam o Bloco de Esquerda em Autarquias, em Sindicatos e nos seus locais de trabalho e de socialização. Para muitos, a única finalidade política é a constituição de um Bloco forte e democrático, sem procurar organizar fracções nem recrutar adesões paralelas.

Tem sido recorrente a afirmação pública de que o Bloco é o mais democrático dos partidos, dando como exemplo o facto de existirem correntes minoritárias representadas nos orgãos dirigentes. Infelizmente o que vemos é que as correntes minoritárias dentro do BE têm sido não só desrespeitadas como até insultadas, parecendo ser a cereja no cimo do bolo, para propaganda nos meios de comunicação.

O que se exige é simples, o mesmo respeito democrático dentro do nosso movimento que exigimos na sociedade e face às outras forças políticas, onde embora minoritários, representamos com dignidade o Bloco de Esquerda.

Não quero o nosso movimento igual à maior parte dos outros partidos da cena política portuguesa, isto é, um mero partido de eleitores e funcionários, completamente institucional e sem um efectivo entrosamento com as populações e as suas lutas.

Não é ainda tarde para invertermos o caminho e retomarmos as linhas traçadas há mais de dez anos. Desejo que o Bloco seja um partido/movimento, amplamente democrático, em luta pelo socialismo. Penso que, se dermos sinais muito claros nesse sentido, alguns dos camaradas que se têm vindo a afastar do Bloco continuarão a estar dispostos a colaborar neste projecto comum.

A situação política e social em que vivemos não se compadece com divisões artificiais numa força política em que tanta gente já demonstrou ser capaz de acreditar.

Uma organização política como o BE não é necessariamente um grupo de amigos, mas é de exigir solidariedade e respeito entre os seus membros.


Texto lido na Mesa Nacional do Bloco em 3 de Julho de 2010


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Criado em: 2010-07-06 02:54:37
Autor: Ferreira dos Santos
Subscrição entregue

Foi entregue, no sábado passado, a subscrição para a convocatória extraordinária da Convenção Nacional do Bloco de Esquerda assinada por 316 camaradas (dos 318 que a subscreveram dois camaradas saíram, entretanto, do Bloco). O documento que entregámos foi o seguinte:

"Camarada,
A VI Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, que reuniu a 7 e 8 de Fevereiro de 2009, em Lisboa, aprovou uma Orientação Política concreta e objectiva relativamente às eleições presidenciais: “O Bloco de Esquerda defenderá a necessidade de uma candidatura presidencial da convergência mais ampla possível para a luta política da esquerda, sem prejuízo da possibilidade de apoiar uma candidatura da sua área política no caso em que essa alternativa não se concretize”. Assim sendo, não foi dado mandato para se proceder ao apoio de qualquer candidatura, nomeadamente, que pudesse ser apoiada pelo Governo de José Sócrates.
Face à existência, neste momento, de duas candidaturas presidenciais que se movimentam na nossa área de influência e à hipótese da mais poderem vir a surgir, e, ainda, às várias e divergentes interpretações que estão a ser dadas à deliberação da Convenção, os aderentes subscritores deste documento entendem reafirmar que só uma Convenção Nacional do Bloco de Esquerda pode deliberar sobre este assunto.
"

Considerando que o número de subscritores da convocatória extraordinária da Convenção é superior a 10% dos aderentes no exercício dos seus direitos, nos termos estatutários, solicitamos:
– Que seja convocada extraordinariamente a Convenção Nacional, sem carácter electivo, para análise da situação política e posição do partido nas eleições presidenciais.
Lisboa, 3 de Julho de 2010."


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Criado em: 2010-07-05 01:22:45
Bloco de Esquerda - Resolução da Mesa Nacional de 3 de Julho de 2010

Juntar forças para reforçar a mobilização social contra a austeridade

 

1. Mobilização social contra os pacotes de austeridade

 A resposta aos pactos PS-PSD para o aumento dos impostos e redução dos salários, que tem continuidade no próximo Orçamento de Estado para 2011 e que pode ainda agravar as condições de vida dos trabalhadores com medidas suplementares no ano corrente, é decisiva para o combate à crise social em nome de uma política de pleno emprego. Nesse sentido, o Bloco de Esquerda apoia a mobilização de protesto marcada pela CGTP para o dia 8 de Julho.

 O Bloco de Esquerda tem apresentado propostas coerentes e completas para a reorientação do investimento público, para a promoção do emprego e redução da precariedade, para a justiça fiscal e para o combate à exploração. No último mês, respondemos a estas medidas do governo com o reforço das estruturas e acções de agitação e propaganda e com a organização de comícios distritais e locais para apoiar a mobilização social. Essa orientação será prosseguida com alternativas concretas para reduzir o endividamento e a dependência externa, como com as propostas sobre o plano de reabilitação urbana ou sobre o combate à evasão por via de offshores.

 Foi votada ontem no parlamento a proposta do Bloco de Esquerda de revogação do decreto que reduz o subsídio de desemprego e, do mesmo modo, o grupo parlamentar suscitou a apreciação do decreto que suspendeu as medidas sociais anti-crise e que atingiu os mais pobres.  

Durante os meses de Julho e de Agosto, o Bloco deverá passar a uma fase de actividade mais intensa, com comícios de rua para milhares de pessoas, para apresentar a alternativa socialista contra a política do desemprego e da austeridade.   

Em Setembro, este trabalho de organização e de mobilização será prosseguido com uma jornada nacional contra o desemprego no dia 10, e com iniciativas de convergência unitária sobre os problemas sociais fundamentais, o salário e o emprego, e ainda sobre necessidade de travar a caducidade da contratação colectiva.   

Os meses do Outono serão fundamentais para uma mobilização geral, em Portugal como na Europa, contra os planos de austeridade e de recessão. Apoiaremos o dia de acção europeu de 29 de Setembro, que terá expressão na greve geral em Espanha e na manifestação europeia promovida pela CES e que, em Portugal, deverá mobilizar a capacidade de luta mais generalizada, com as iniciativas sindicais que o Bloco apoiará e em que participará.

 A resposta social parte de uma constatação clara: se estas medidas recessivas forem aplicadas, o risco de uma nova crise com mais desemprego é muito forte. A aplicação das soluções liberais, reduzindo o salário e precarizando o emprego, só pode provocar uma crise agravada e prolongada.   

A perspectiva do Bloco é por isso a acumulação de forças para lutas mais gerais e com mais impacto, multiplicando a resposta que é indispensável para defender o salário e para combater o aumento de impostos. A condição para o sucesso dessas lutas é juntar forças, é a democracia de base nos movimentos populares e é a convergência de todos os sectores atingidos pela austeridade.

O Bloco de Esquerda tem orientado a sua intervenção social e também a cooperação internacional com essa perspectiva. Participando em comícios em Atenas, Madrid ou Berlim, convidando um dirigente do Syriza para intervir em Lisboa, ou intervindo, com uma delegação significativa, no Fórum Social Europeu de Istambul, procuramos que as esquerdas europeias estejam à altura da resposta à crise, com a sua acção comum. 

 

2. Revisão constitucional

O PSD tem apresentado propostas de revisão constitucional e de alteração da lei laboral que definem um projecto agressivamente liberal. Facilitando o fim dos contratos e diminuindo as indemnizações devidas, o projecto de Passos Coelho apresenta como solução para o desemprego o despedimento facilitado. E, no quadro da revisão constitucional que tem vindo a esboçar, o PSD procura alterar valores simbólicos da Constituição, como a referência republicana, além de fixar como objectivo principal a desagregação dos serviços públicos na saúde e na educação.  

Assim, o ministro dos negócios estrangeiros, embora em contradição com o seu partido, chegou mesmo a tomar a iniciativa de propor a imposição por via constitucional de um limite ao défice de Estado, o que seria o principal instrumento para destruir as obrigações de serviço público.  

Em ambos os casos, o PS tem manifestado abertura para negociações, na linha da cooperação anterior entre os dois partidos em todas as revisões constitucionais e alguns ministros admitiram mesmo o reforço das normas liberais da lei do trabalho, na sequência do Código Vieira da Silva. O empenho do PS em alianças à direita para alterar as leis eleitorais, diminuindo o número de deputados ou favorecendo círculos uninominais ou outros com elevada fasquia eleitoral, é também representativo da vontade de limitar o pluralismo e diminuir a democracia.  

O Bloco de Esquerda, em contraposição:  

a)      rejeita a abertura de qualquer processo de revisão constitucional antes das eleições presidenciais,

b)      considera que, quando esse processo for aberto, deve limitar-se a alterações pontuais que reforcem a universalidade dos direitos cívicos e sociais,  

c)       rejeita qualquer limite constitucional à política orçamental anti-cíclica,

d)      recusa a alteração da regra constitucional de protecção contra o despedimento sem justa causa, 

e)      defende o reforço da obrigação constitucional de um serviço universal de saúde, de educação e de segurança social,

f)       defende a revogação do Código Vieira da Silva, nomeadamente para restabelecer o princípio da protecção da parte mais fraca e para rejeitar a caducidade dos contratos de trabalho,

g)      recusa qualquer redução do pluralismo ou da proporcionalidade nas leis eleitorais.

 

3. Campanha de juventude

Nos últimos meses e em cumprimento de uma decisão da Mesa nacional, o Bloco tem organizado uma campanha de organização de jovens que se estendeu a todo o país.

Dessa campanha foi dada informação à reunião da Mesa, que delibera que deve prosseguir esse esforço para abrir o Bloco a mais jovens, para integrar mais jovens nas estruturas e responsabilidades e para criar iniciativas e agitação que responda a um dos sectores sociais mais atingidos pela crise.

 

4. Outras actividades do Bloco de Esquerda  

Além dos comícios de rua em Julho e Agosto, o Bloco organiza duas actividades de debate político:

          a)      Liberdade 2010, o acampamento de jovens, em Julho,  

          b)      Socialismo 2010, a universidade de verão do movimento, em finais de Agosto.

 

No mês de Setembro, como foi determinado atrás, o Bloco tem uma prioridade central: as iniciativas contra o desemprego e o apoio à mobilização social, pelo salário e contra a caducidade dos contratos colectivos.   

Nos dias 9 e 10 de Outubro, o Bloco organiza o encontro europeu de activistas sindicais do PEE e o seu encontro nacional de trabalho.  

O Bloco organizará também vários comícios sobre o centenário da República e as suas lições actuais e, nas eleições presidenciais, insistirá na importância da luta social contra a desigualdade e contra as políticas liberais, em nome da defesa da democracia dos serviços públicos. 

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Criado em: 2010-07-05 00:59:07
É PRECISO UM CANDIDATO DE ESQUERDA... HÁ POR AÍ ALGUÉM DISPONÍVEL?

Manuel Alegre é o candidato do partido do governo e também da direcção do Bloco de Esquerda. Fernando Nobre, assumido como uma "iniciativa cidadã" que não é de direita nem de esquerda, é a candidatura "marca branca"...

No dia 22 deste mês, participei numa reunião de activistas de diversas esquerdas que estão preocupados com o estado a que as esquerdas chegaram quanto às próximas presidenciais.

Os activistas das esquerdas - de diversos partidos, de diversas associações, individualmente - manifestaram preocupação por esta espécie de "nível zero" a que as esquerdas chegaram. Um "nível zero" que se resume no seguinte:

    * os candidatos ditos de esquerda movimentam-se na área do partido do governo e avançam com propostas que pouco ou nada se diferenciam do presumível candidato da direita, o actual Presidente;

    * de um momento para o outro, as esquerdas sentem dificuldade em identificarem um candidato comprometido com propostas anti-capitalistas, democráticas e socialistas, e, pior ainda, sentem que hipotéticos nomes identificados com uma candidatura das esquerda que o são, aceitem o desafio;

    * o voto útil numa primeira volta das Presidenciais não faz sentido. Mas a luta contra a direita numas Presidenciais fica sempre refém da existência de uma 2ª volta e, nessa 2ª volta, lá estará novamente o tal voto útil nos candidatos que só são de esquerda, no momento das campanhas eleitorais.

Há um imenso espaço social à esquerda e de cidadãos revoltados com os efeitos desta crise que não se revêm nas actuais candidaturas presidenciais.

Nesse espaço social, cresce alguma angústia pela incapacidade prática e concreta de se apresentar alguém com o prestigio e a notoriedade políticas e sociais suficientes para a reafirmação dos valores, principios e propostas das esquerdas de afirmação democrática, socialista e anti-capitalista.

Os principais partidos das esquerdas com representação parlamentar têm uma responsabilidade notória no estado a que se chegou. Mas as esquerdas extra-parlamentares parece que só se lembraram de influenciar alguma coisa, tarde e a más horas!...

O parlamentarismo dito de esquerda e algum esquerdismo que continua a pulular entre as esquerdas extra-parlamentares, juntaram-se objectivamente criando uma situação política perfeitamente aberrante e de consequências negativas.

É incompreensível que a onda de protesto social e laboral existente em Portugal e por essa Europa, não tenha nenhuma repercussão política no aparecimento de uma candidatura alternativa às do situacionismo governamental e parlamentar.

Na minha opinião, o tempo para a apresentação de uma candidatura das esquerdas, socialistas, democráticas e anti-capitalistas escasseia a um ritmo intenso! Ou seja, não há muito tempo... mas ainda sobra algum!

Como militante do Bloco de Esquerda que participou na última Convenção Nacional e apelou, com mais 305 bloquistas, a uma Convenção Extraordinária que discutisse democráticamente a decisão a tomar quanto a uma candidatura presidencial, assumo que seria muito importante e mobilizador que fosse possível a apresentação de uma candidatura de afirmação alternativa às que já surgiram e surgirão, formalmente situadas à esquerda.

O Bloco de Esquerda é uma referência política alternativa na esquerda socialista que conseguiu a convergência de correntes com experiências politico-ideológicas muito diferentes à esquerda. Conseguiu também um impacto social e eleitoral notável. Mas, com o passar dos anos e o sucesso eleitoral, parece que uma das principais mensagens fundacionais - correr por fora... estar com e nos movimentos e as lutas sociais... - se foi esquecendo! E o cúmulo desse esquecimento é a partilha de uma mesma candidatura presidencial com o partido do Eng. José Sócrates!

Estou convencido que muitos bloquistas, muitos eleitores que votam Bloco de Esquerda, muita gente que via novidade e coragem políticas na postura do BE, não compreendem, não aceitam a escolha do candidato Manuel Alegre pela direcção política bloquista!

Essas pessoas esperavam que o Bloco de Esquerda fosse, mais uma vez, referência de esquerda de confiança, energia alternativa, na escolha de um candidato que agora soubesse incorporar o protesto social que cresce contra as falsas soluções para a crise impostas pelos governos europeus, como o de José Sócrates, às ordens da Europa de Durão Barroso.

Por respeito às expectativas dessas pessoas, por referência aos principios fundacionais do Bloco de Esquerda, por não querer contemporizar com políticas neoliberais, estou comprometido com a busca activa de uma candidatura das esquerdas democrática, socialista e anti-capitalista que saiba dar voz ao protesto social!

O tempo não ajuda, é um facto!

Mas no movimento e no protesto sociais ficarão a saber que, contra a corrente do conformismo das esquerdas parlamentares, buscou-se, tentou-se!




http://esquerda2011.blogspot.com/2010/06/contra-resignacao.html

 

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Criado em: 2010-06-25 04:34:28
Autor: João Pedro Freire
E agora...

O Bloco de Esquerda, os princípios que aprovamos, a linha política socialista que temos vindo a defender, continuam a ser a minha referência, enquanto organização política e de intervenção.

Como no Bloco de Esquerda, e muito bem, não existe centralismo democrático, sempre que discordo de alguma tomada de posição da direcção do BE, tenho manifestado essa discordância, de forma aberta e frontal, quer individualmente, quer na Esquerda Nova, tendência estatutariamente organizada do BE, a que pertenço.

Foi o que aconteceu, a meu ver, com a apressada e extemporânea declaração de apoio à candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República.

Contrariamente ao que tem sido afirmado, a VI Convenção Nacional do BE não discutiu e, muito menos, tomou decisões sobre o apoio a qualquer candidatura presidencial.

Considero que foi errado o condicionamento da decisão da Mesa Nacional, com a declaração de apoio, feita antecipadamente, de forma impulsiva e através da comunicação social.

Daí ter subscrito, juntamente com mais 300 camaradas, o pedido de convocação de uma Convenção Extraordinária que discutisse e deliberasse sobre a candidatura a apoiar pelos aderentes do Bloco de Esquerda.

Continuo a pensar que esta seria a medida democrática mais acertada para dar voz aos aderentes bloquistas neste assunto.
É sabido que, em Portugal, o Presidente da República não governa, mas tem poderes de nomeação do primeiro-ministro e de dissolução da Assembleia da República.

Uma esquerda que não se pretenda completamente institucional não pode subvalorizar as eleições presidenciais, mas também não pode e não deve comprometer-se de tal modo com elas que deixe de ter margem de manobra para os combates que se aproximam, contra o capitalismo selvagem, que procura destruir o Estado Social, embora frágil e embrionário, que vamos tendo.

A massificação das lutas deverá constituir o primeiro objectivo de uma organização como o Bloco de Esquerda. Tenho algumas dúvidas metódicas sobre se essa massificação passa por umas eleições presidenciais…

A proposta da consigna de construção de uma Maioria Social de Esquerda mantém-se perfeitamente actual e a forma de a concretizar é no terreno das lutas que se avizinham e não nos gabinetes.

O Bloco de Esquerda tem que, de uma vez por todas, procurar antecipar-se aos acontecimentos e preocupar-se em criar raízes onde as lutas populares vão eclodir.

Só assim o Bloco ganhará o reconhecimento e a aceitação de sectores da população que têm seguido a chamada social-democracia, dando-lhes uma perspectiva nova e alternativa.

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Criado em: 2010-06-18 04:08:59
Autor: Ferreira dos Santos
Fantasia?

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Criado em: 2010-05-31 04:07:37