De boas intenções está o inferno cheio
Já tive oportunidade de escrever várias vezes sobre a quem pertence a responsabilidade da actual crise financeira que abalou o Mundo e, consequentemente, Portugal.
Evidentemente que, a nível interno, a crise tem a sua origem na incapacidade dos diferentes governos em priorizar a intervenção política para um desenvolvimento sustentado da economia, colocando esta ao serviço das populações.
Ao invés, os diferentes governos que temos tido delapidaram os fundos vindos da União Europeia em obras de utilidade mais do que duvidosa, como estádios de futebol construídos onde não têm utilização, ou auto-estradas que se verifica não fazerem sentido dada a fraca densidade de tráfego.
O Estado comportou-se como se de um país rico se tratasse, comprometendo-se com despesas faraónicas do tipo da compra de submarinos e das participações militares.
Os bancos, mercê de uma publicidade tão asfixiante como enganadora, promoveram o endividamento das famílias a níveis incomportáveis.
Nessa fase, a que se poderia chamar das vacas gordas, não se ouviam conselhos em contrário dos que hoje aparecem como portadores de toda a verdade e senhores de de todas as certezas.
É falso que não tenha havido alertas para a situação que se avizinhava. Baste ler as actas da Assembleia da República para verificar a quantidade de vezes que alguns deputados da oposição de esquerda foram acusados de arautos da desgraça e de pessimistas, entre outros “mimos” do mesmo género.
É, igualmente, falso que não tenham sido apresentados programas alternativos, propondo que se encaminhassem os fundos para o investimento e para a modernização. No vórtice consumista ninguém ouviu, nem quis ouvir.
Em 2008, as mesmas agências de notação financeira, a Fitch, a Standard & Poor’s e a Moody’s, que agora se manifestam tão rigorosas com os países como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (a que depreciativamente apelidam de PIGS), avalizaram produtos financeiros que se verificaram ser desastrosos (os chamados tóxicos) que levaram à falência de bancos e à instabilidade financeira que conhecemos e à consequente crise social que vivemos.
Até hoje, apesar de todas as promessas e declarações de intenção, não se verificaram quaisquer alterações nas condições de supervisão por parte dos bancos centrais nacionais nem do Banco Central Europeu, que visem impedir a continuação da especulação financeira fraudulenta que desencadeou a crise.
As únicas preocupações dos eurocratas têm sido o apoio aos banqueiros e aos bancos que foram causadores da crise, obrigando os países mais debilitados e enfraquecidos a cobrir os débitos das instituições arruinadas.
Foi o que se verificou no nosso país, com o BPP e o BPN, a quem o Estado, prontamente, prestou auxílio, em detrimento das pequenas e médias empresas, e, até, dos cidadãos.
Enquanto se despejavam nos cofres daqueles bancos quatrocentos e cinquenta milhões de euros, em nome da necessidade de não deixar cair o sistema bancário, promovem-se cortes nas despesas sociais e no investimento público, contribuindo assim para impedir o crescimento da economia.
As despesas públicas têm de ser racionalizadas e cortado tudo o que for supérfluo. Não é possível é proceder aos cortes, precisamente, onde não devem ser feitos, isto é, na saúde, da educação e no apoio social.
A direita, visando destruir todo o edifício do Estado Social criado no pós-25 de Abril, propõe, como panaceia universal, a privatização de tudo o que ainda pode permitir ao Estado intervir socialmente na economia.
Pedro Passos Coelho aparece como o campeão do neoliberalismo, seguindo a escola dos economistas que se propõem acabar com o Estado Social criado no pós-guerra, na Europa. Este tipo de medidas já foram ensaiadas, por exemplo, no Reino Unido da Sra. Tatcher com resultados desastrosos e estão agora a ser tentadas na Alemanha e em França. Na Europa as respostas populares ainda só agora se começaram a fazer sentir, com a diminuição da popularidade destes líderes nas eleições internas.
As propostas que vemos ser afloradas pela direita, aliás oriundas de um grupo de “sábios” coordenado por Paulo Teixeira Pinto, o mesmo que foi corrido do Banco Millenium/BCP (com uma reforma de nababo), não auguram nada de bom. A alteração da Constituição da República visa criar um sistema político substancialmente diferente daquele que, apesar de tudo, tem servido a democracia portuguesa. É preciso saber o que, realmente, está por detrás destas propostas.
Esperamos que os nossos concidadãos não se deixem iludir com falsas promessas “modernistas” revestidas de palavras e ideias ocas.
PELA LIBERDADE, PELA DEMOCRACIA!!!

Um certo clima de medo larvar tem vindo a instalar-se na sociedade portuguesa, sob os mais diversos pretextos.
Tal situação não aproveita aos portugueses em geral e muito menos àqueles que mais sofrem os efeitos de uma crise financeira e social para que não contribuíram.
O clima de medo começou por se instalar ao nível dos locais de trabalho, ainda durante os governos PSD/CDS, quando foram lançadas as mais soezes acusações sobre os trabalhadores quer do sector privado, quer da Função Pública, nomeadamente professores, enfermeiros, médicos, etc..
As tentativas de assacar aos trabalhadores e aos seus sindicatos as culpas da ruinosa gestão de tantas empresas e, até, do défice público fizeram parte da mesma campanha, visando limitar e, até, impedir o exercício do direito dos trabalhadores à sindicalização e à defesa dos seus interesses.
Hoje, essas mesmas forças tentam, hipocritamente, fazer esquecer essas atitudes, que infelizmente foram continuadas pelos governos de José Sócrates.
Mas nós não as esquecemos.
Também não esquecemos as manipulações dos órgãos de Comunicação Social, as campanhas de calúnias e de “invenções” que, nessa altura, foram lançadas e que, agora, fingem nunca terem existido.
Bem conhecemos os lobos sob a pele de cordeiros.
Somos dos que consideramos imprescindível a existência de uma Comunicação Social livre e responsável, sem controlo por parte do poder político, mas também sem pressões por parte dos grupos económicos.
Consideramos as liberdades democráticas e o pleno exercício da democracia inquestionáveis e continuaremos a bater-nos contra qualquer atentado à sua existência. Queremos, isso sim, o aprofundamento dessas liberdades e a sua qualificação.
De qualquer forma, interrogamo-nos a quem interessa o catastrofismo, a insegurança, o clima de terror, a descrença e o pessimismo permanente?
O que faz correr os “fazedores de opinião” que jogam permanentemente este jogo?
Por isso é importante que os democratas exijam uma completa clarificação das recentes “revelações” surgidas na Imprensa sobre alegados envolvimentos de membros do Governo em actos de pressão sobre a Imprensa e sobre jornalistas. Que, se for caso disso, os tribunais cumpram o seu dever com justiça e com a presteza, para benefício da mesma.
Só assim poderemos aquilatar do que realmente se passa e com o que poderemos contar. O clima de boatos e de meias verdades não interessam a ninguém e desviam a atenção do que é realmente importante.
O Povo Português tem que poder ter alguma confiança tanto nos tribunais, como nos outros órgãos de poder.
Temos a esperança de que os portugueses saberão encontrar os meios para ultrapassar esta fase de pessimismo e de descrença, fomentada pelos mesmos que provocaram a crise em que nos encontramos mergulhados, sem se deixarem envolver em aventuras armadilhadas, tipo “maiorias silenciosas”, que as forças de direita e de extrema-direita possam criar, com falsas promessas que sabemos bem como sempre acabam, mesmo que se proponham “pôr ordem nisto” como em 1926.
Nós, portugueses, bem como os outros europeus, sabemos muito bem como é curto o conceito de liberdade para essas pessoas.
Obama aposta na energia nuclear

Barak Obama decidiu apostar na energia nuclear depois de ter manifestado cautelas sobre a matéria durante a campanha eleitoral.
O projecto de orçamento da Administração norte-americana para o ano em curso prevê um investimento significativo na construção de novos reactores nucleares, facto que representa uma opção assumida por esta fonte de energia. Depois dos cuidados com que abordou o tema durante a campanha que o levou à presidência, Obama elege agora o nuclear como forma de articular as diferentes posições em questões ambientais e também a nova relação de forças no Senado, onde os republicanos adquiriram maior margem de manobra ao conquistarem no Massachusetts o lugar anteriormente ocupado por Robert Kennedy.
No recente discurso sobre o estado da União, Obama afirmou que a maneira de criar novos empregos no sector das energias limpas significa “construir uma nova geração de centrais nucleares seguras e não poluentes”. Fontes citadas pela “Associated Press” salientam que o presidente alterou a sua posição em relação aos cuidados anteriores porque necessita de apoios de congressistas democratas pró-nuclear e republicanos para conseguir fazer passar legislação ambiental no ano em curso, que é também ano eleitoral no Congresso. Membros ligados à equipa presidencial asseguram que as decisões tomadas reflectem o apoio dado desde sempre por Obama à energia nuclear. No entanto, a inclusão deste tema de modo mais decidido no discurso presidencial segue-se à tempestuosa reacção republicana à aprovação em Junho passado de legislação que limita, ainda que de modo muito moderado, a emissão de gases que alimentam o efeito de estufa.
Os republicanos e alguns eleitos democratas têm criticado o facto de Obama evitar abordar a energia nuclear quando fala do combate ao aquecimento global e de fontes de energia não poluentes.
O discurso sobre o estado da União e agora a política orçamental adoptada já provocaram os primeiros sinais de satisfação entre os conservadores. O senador republicano Lamar Alexander, do Tessesse, declarou que observa “uma evolução da atitude presidencial em matéria de energia”. Até agora, disse, “a Administração tem seguido uma política nacional de moinhos de vento em vez de uma política nacional de energia, o que é o mesmo que ir para a guerra em barcos a remos”. Conhecido pelas suas propostas de construção de 100 centrais nucleares durante os próximos 20 anos, o senador Lamar considerou as palavras presidenciais sobre o nuclear como a parte mais importante do seu discurso sobre o estado da União.
No projecto de orçamento, a Administração prevê uma verba de 54 mil milhões de dólares para desenvolvimento da produção de energia nuclear no país.
Nos Estados Unidos estão actualmente em funcionamento 104 reactores nucleares em 31 Estados, produzindo cerca de 20 por cento da electricidade do país. De acordo com as fontes citadas pela agência “Associated Press”, esse volume representa, por outro lado, 70 por cento da energia produzida através de meios não poluentes como o vento, o sol e a água. Esta interpretação estatística é polémica por causa da junção destas fontes de energia sob a designação de “não poluentes” ou “limpas”.
Textos elaborados por legisladores e “lobbies” actualmente circulando no Congresso defendem que os Estados Unidos devem aumentar o número de centrais nucleares em actividade de modo a reduzir em 80 por cento a emissão de gases com efeito de estufa. Um estudo elaborado pela Agência de Protecção do Ambiente defende que até 2050 deverão entrar em funcionamento mais 180 reactores de nova geração.
A questão energética continua a ser transversal dentro do espectro político dominante norte-americano. O senador democrata John Kerry, o independente Joseph Lieberman e o republicano Lindsey Graham coincidem na opinião segundo a qual Obama tem que investir muito mais na energia nuclear e na pesquisa de petróleo e gás “off-shore” se pretende os 60 votos no Senado necessários a uma legislação ambiental à prova de “flibusteiros”.
Os legisladores mais próximos dos círculos neo-conservadores exigem do presidente uma opção “robusta” pela energia nuclear mas são contra a inclusão desta matéria no plano geral de combate à emissão de gases poluentes, que consideram a causa da produção de energia muito cara.
James Connaughton, ex-presidente do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca na Administração Bush considera que quando se fala de votos, a maioria dos que os têm no Congresso “estão do lado da barricada dos que pretendem a restauração da liderança da América na produção de energia nuclear”. Connaughton trabalha agora para a “Constellation Energy”, empresa de Baltimore que tem encomendas de cinco reactores nucleares e está em vias de obter mais.
Quanto à organização ambientalista norte-americana Amigos da Terra, as posições de Barak Obama sobre a energia nuclear são como “um pontapé na boca”.
Fonte: BE Internacional
Para ajudar um País é preciso ocupá-lo?
Para ajudar um País é preciso ocupá-lo?Alan Joyandet, ministro francês encarregado do auxílio humanitário ao Haiti, teve um confronto verbal com um alto responsável militar norte-americano quando pretendia organizar um voo de evacuação de vítimas no aeroporto de Port-au-Prince. Depois desabafou: “Trata-se de ajudar o Haiti, não de ocupar o Haiti”. O episódio merece reflexão.
A organização Médicos Sem Fronteiras já tinha dado o alerta quando revelou ao mundo que centenas de vítimas do terramoto do Haiti estavam a ser prejudicadas pelo tipo de opções que o controlo militar norte-americano do principal aeroporto do Haiti estava a fazer. Por causa disso, aviões transportando médicos, medicamentos e outros meios de apoio aos feridos atingidos pela catástrofe já tinham sido obrigados a voltar para trás. Por causa disso, médicos no terreno não conseguiram salvar mais vidas ou foram obrigados a recorrer com mais frequência ao indesejado recurso da amputação para garantir sobrevivências.
O assunto instalou-se na ordem do dia apesar da enorme barragem de informação promovendo a operação humanitária fardada dirigida pelo Pentágono e pelo Departamento de Estado que os Estados Unidos desenvolvem no Haiti. A legítima dúvida é: assistimos a uma acção de socorro ou a uma invasão militar?
Para ajudar um País é preciso ocupá-lo?O presidente francês desautorizou o seu ministro e minimizou a importância do desabafo acima transcrito, certamente para não incomodar Washington. Perante o cenário de guerra montado nos escombros da catástrofe não há, porém, manobra diplomática capaz de apagar das memórias a exclamação então proferida por um desalentado habitante de New Orleans vítima do Katrina: “pedimos comida e alojamento e o governo manda-nos homens armados”. A frase correu mundo e, como se sabe, no terreno não estavam apenas membros das forças armadas mas também mercenários de empresas mal afamadas, como a então denominada Blackwater, contratadas pelo governo.
À frente da operação de socorro de New Orleans esteve o presidente George W. Bush e o desempenho alcançado contribuiu para deixar ainda mais por terra o seu abalado prestígio.
Por iniciativa do seu sucessor, Barak Obama, George W. Bush exerce agora funções de coordenação das iniciativas de socorro ao Haiti.
No terreno, o controlo das operações norte-americanas foi atribuído ao Comando Sul, o Southcom, que tem o quartel-general em Miami. Em termos gerais, a missão desta estrutura militar é a de “comandar operações militares e permitir uma cooperação segura para os objectivos estratégicos dos Estados Unidos da América” em toda a região latino-americana. Como ainda notou recentemente o director de Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, é o Southcom, por exemplo, que coordena a rede de 13 bases militares norte-americanas que cercam a Venezuela.
O general Douglas Fraser, comandante do Southcom, explica que a operação no Haiti se subordina ao conceito “dos três C’s”: “comando, controlo, comunicações”, de modo a que os Estados Unidos “possam compreender melhor o que está a acontecer”. O presidente Barak Obama solicitara aliás, no dia imediato ao terramoto, que os serviços militares norte-americanos traçassem “o mapa da destruição”. Daí que o primeiro sinal de auxílio oficial dos Estados Unidos ao Haiti – excluindo as organizações não-governamentais envolvidas desde a primeira hora nas acções internacionais de socorro – tenha sido o envio de aviões não tripulados, os drones, para cartografar a nova realidade.
Passando das palavras do general Fraser à prática, tropas norte-americanas (que podem chegar a 10 mil efectivos, entre eles dois mil marines) começaram por ocupar o aeroporto de Port-au-Prince, afastaram os operacionais haitianos e colocaram controladores de tráfego militares em funções, segundo informação do embaixador do Haiti em Washington; a seguir, tomaram conta do que restava das comunicações governamentais haitianas e assumiram o poder sobre as fontes de energia do país. O processo prossegue através da gestão dos transportes e das infra-estruturas.
Para ajudar um País é preciso ocupá-lo?O comportamento operacional norte-americano em território do Haiti coincide quase em absoluto com a teorização sobre a reacção à catástrofe haitiana produzida pelo think tank e poderoso lobby neo-conservador Heritage Foundation, identificado com os sectores republicanos mais militaristas e extremistas. Segundo esta organização, “o terramoto tem simultaneamente implicações humanitárias e de segurança nacional para os Estados Unidos”. Considera a Heritage Foundation que essas implicações requerem uma “resposta rápida, que terá de ser não apenas importante mas decisiva, a cargo das instituições militares, governamentais e civis, orientada a curto prazo pelo socorro ao Haiti e, a longo prazo, por um programa de recuperação e reforma do país”.
Pertence ainda à Heritage Foundation a tese segundo a qual “Cuba e Venezuela aproveitam o terramoto no Haiti e a fragilidade do governo de René Preval para tentar diminuir a influência dos Estados Unidos na região”. Daí também o cariz militar da operação de socorro.
De acordo com várias declarações de responsáveis dos Estados Unidos, a presença militar no interior do Haiti e o patrulhamento das águas territoriais deste país por embarcações da Guarda Costeira norte-americana relacionam-se igualmente com os problemas de imigração. A Guarda Costeira é conhecida nas águas das Caraíbas por ter um filtro muito especial, totalmente livre para os cubanos que procuram Miami e absolutamente estanque, por exemplo, para os haitianos. As autoridades norte-americanas de imigração já expulsaram para o seu país cidadãos do Haiti que tinham conseguido chegar a território dos Estados Unidos fugidos ao drama do terramoto.
O almirante James Watson da Guarda Costeira definiu o objectivo da missão em águas haitianas com as seguintes palavras: “trabalhar com o Departamento de Defesa, o Departamento de Estado e as várias agências governamentais para minimizar o risco de os haitianos saírem do seu país; queremos fornecer-lhes auxílio para que possam viver no Haiti”.
Quando a totalidade do contingente norte-americano estiver no Haiti, “para ajudar a restaurar a ordem”, o número de militares estrangeiros no país atingirá quase vinte mil efectivos, incluindo os da Minustah, a força da ONU.
Este contingente foi criado em 2004 para assumir o controlo do Haiti na sequência do ainda mal esclarecido golpe que depôs o presidente Jean-Bertrand Aristide, alegadamente envolvido em fraudes e corrupção. Forças militares norte-americanas apoiaram o golpe e foram substituídas depois pelos militares das Nações Unidas. Durante os últimos anos, o regime do presidente René Preval, agora relegado para segundo plano pela forma como os Estados Unidos responderam aos efeitos do terramoto, promoveu uma polémica reestruturação das forças policiais e militares. As forças armadas foram preparadas com a colaboração da DynCorp, empresa privada norte-americana de mercenários que figura entre as habituais contratadas do Pentágono. As forças policiais assimilaram membros dos esquadrões da morte envolvidos no golpe de 2004, muitos dos quais originários das milícias terroristas dos Tonton Macoute, guardas pretorianas dos ditadores Duvalier.
Marguerite Laurent, destacada advogada que colaborou com a administração de Jean-Bertrand Aristide, divulgou informações segundo as quais há anos que os Estados Unidos mantêm o petróleo que supostamente detectaram no Haiti como uma reserva para articular de acordo com a evolução da situação no Médio Oriente. A privatização dos portos haitianos de águas profundas permitiu entretanto às grandes companhias petrolíferas norte-americanas que deles se assenhorearam proceder a operações de refinação e de transporte em condições que não lhes seriam permitidas nos Estados Unidos por razões ambientais.
É de crer, perante o modo como as forças da Minustah foram afectadas pelo terramoto, sofrendo considerável número de vítimas mortais e a perda total de instalações, que as tropas norte-americanas assumam cada vez mais o papel que lhes estava atribuído desde 2004. O controlo militar e político dos Estados Unidos sobre o rumo dos acontecimentos presentes e futuros no Haiti será assim incontornável, como acontece há um século, com ou sem catástrofes naturais. Tal domínio é afinal tão endémico como a miséria a que a esmagadora maioria dos haitianos estão submetidos.
José Goulão
Fonte: The Week
AS LINHAS QUE SE SEGUEM SAO PARALELAS (ou da verdade relativamente presidencial)

Há 5 anos lembro-me de até ter perguntado inocentemente 'então porque não Manuel Alegre para a presidência?' - naquela altura em que era ele contra o estado-geral da maioria cor-de-rosa, que propunha o Soares, re-run. Se a coisa ia mesmo ficar nos sempiternos ecos de Abril pois então mais valia tentarmos não ter Cavaco como presidente…
Mas-que-não. Que-nem-pensar-que-social-democrata-de-falinhas-mansas. O que era preciso era ter uma candidatura independente: ou então, empalideceríamos, perderíamos força, diluiríamos. Louçã à presidência.
... Mas então, pergunto eu, então porquê agora? Porquê Alegre? O que mudou?
... mudou Alegre, que aceitou de vez que pertence a um partido liderado por José Sócrates.
E mudou, também, a postura popular e institucional perante o Bloco, que 'partificou' e passou a contar nos acordos e nos equilíbrios de forças... por expressão nas mesas de voto e por densidade programática, o Bloco já pode, sem medo de empalidecer (ou esverdear), apoiar à partida um candidato 'de outro quadrante' da esquerda. Com efeito, a moção aprovada na última Convenção bloquista aprovou que, nestas presidenciais ''O BE defenderá a necessidade de uma candidatura presidencial da convergência mais ampla possível para a luta política da esquerda, sem prejuízo da possibilidade de apoiar uma candidatura da sua área política no caso em que essa alternativa não se concretize.''
... o que é uma coisa muito sensata que diz que, pronto, se o pessoal se entender todo, vamos lá ajudar a mandar o outro de volta para o Poço de Boliqueime… mas, se se não se entenderem, pas de problèmes, teremos um candidato próprio. Nada muito arriscado, nada muito comprometedor – dance to the tune...
O que significa que sim, lá poder, o BE até podia apoiar Manuel Alegre, nestas eleições presidenciais.
Ou Carvalho da Silva, ou Fernando Nobre, (que até foi mandatário da candidatura bloquista às europeias), ou outro dos vários nomes que aparecem recorrentemente em qualquer mesa redonda de discussão à esquerda...
Mas não, na verdade não decidimos na última Convenção que apoiaríamos Manuel Alegre...
Haiti - Outro Inferno na Terra

Para o Haiti não bastava a decrepitude humana típica das últimas décadas: um estado de subdesenvolvimento crónico tornou-se imperativo geração post geração, sem possibilidades políticas, económicas e sociais para superar a crise continuada em grande parte imposta pela conjunção neo liberal que tem atingido a humanidade e o planeta desde o fim da IIª Guerra Mundial e que se agravou desde o final da “Guerra Fria”.
As esperanças que fossem trasladadas para o próprio povo as capacidades para alterar profundamente, a partir das causas económicas e sócio-políticas, o pendor da situação, acabaram por se desvanecer com o derrube do Presidente democraticamente eleito Jean-Bertrand Aristide e o Haiti, o país mais pobre da América, continua condenado ao entorpecimento a que tem sido votado, como se fosse um desterro histórico da humanidade.
Os golpes contra o Presidente Jean-Bertrand Aristide foram o “modelo-prévio” que deram a sugestão para o golpe nas Honduras, em curso…
O Haiti é uma enorme favela, onde impera a decadência, a marginalidade, a desorganização, o subdesenvolvimento, condenado aos Índices de Desenvolvimento Humano mais baixos da América Latina.
A taxa de mortalidade infantil que ronda os 60 óbitos por 1000 crianças até aos 5 anos tem-se praticamente mantido e isso apesar dos esforços de solidariedade em matéria de educação e saúde de países como Cuba, que fica muito próxima do Haiti.
As potências que perseguem o “diktat” da lógica capitalista neo liberal nada fizeram para alterar o curso da história, muito pelo contrário: ao “controlarem” a situação, mantiveram o país cristalizado nas suas fórmulas arcaicas, “amarrando” o país ao sindroma dos problemas e inibindo o seu futuro.
A presença do Brasil no Haiti tem contribuído também para “baralhar” mais as coisas pois a actuação dos seus meios dá continuidade à tendência para ficar-se pela ramagem e evitar-se ir até às raízes para, a partir delas, se começarem a superar as sequelas que advêm do passado.
No dia em que três terramotos sucessivos atingiram em cheio o Haiti, (um deles o de maior proporção em 200 anos de registos no país), ficou ainda mais evidente o descalabro em que se encontra a parte ocidental da Hispaniola e as imagens que são transmitidas para todo o mundo, são o exemplo dum autêntico inferno na Terra, em pleno século XXI.
Caos, desorganização e o espectro de riscos de toda a ordem (para muitos o pior está para vir), pesam sobre o Haiti e sobre a consciência de todos nós cidadãos do mundo.
Os primeiros cálculos apontam para mais de uma centena de milhar de mortos e cerca de três milhões de pessoas afectadas, mas os grandes traumas vêm a seguir, num país em que o primeiro ministro veio rapidamente declarar que “a magnitude da tragédia supera as capacidades desta empobrecida nação”.
Urge uma acção concertada e polivalente de todos aqueles que estão prontos para a solidariedade e abram efectivamente espaços para ela, ao invés de abrirem espaços para interesses egoístas que só promovem ainda mais desgastes para a humanidade e o planeta.
Auxílio de todo o lado está a chegar neste momento ao Haiti, 24 horas depois do desastre provocado pelos três terramotos sucessivos.
Desde a União Europeia, passando pela Venezuela, pelos Estados Unidos, pela China, da pequena nação vizinha, a República Dominicana, para não falar de Cuba que mantém o estandarte da solidariedade sempre de pé, todos manifestam a sua disposição em dar a sua contribuição para fazer face à hecatombe natural que está a derivar para a hecatombe humana e ambiental no pequeno país das Caraíbas.
Os médicos cubanos que se encontram no Haiti prestam auxílio em tempo real e começaram a ser reforçados pouco tempo depois da catástrofe natural.
Cuba está experimentada na assistência a catástrofes como tsunamis, furacões e terramotos e chegou mesmo a oferecer aos Estados Unidos os serviços da Brigada Henry Reeves, (o nome é de um médico norte americano que lutou pela independência de Cuba) a fim de socorrer New Orleans em Setembro de 2005, o que por estúpido orgulho não foi aceite.
Essa mesma Brigada que estava mobilizada e em prontidão, acabou por intervir no distante Cachemira, integrando os esforços de resposta perante a catástrofe dum mortífero terramoto em Outubro de 2005, instalando 7 bases e 30 hospitais de campanha.
Isso é tanto mais notável quanto, para além da distância do Paquistão de Cuba, não havia relações diplomáticas entre os dois países!
O actual Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, integrou a Brigada e perfez um ano completo de apoio médico nas escarpadas montanhas do Cachemira, numa altura em que os corpos médicos de Cuba trabalharam lado a lado com o socorro norte americano e europeu.
Há cada vez mais vozes levantando-se a favor do incremento de contactos dos Estados Unidos com Cuba a fim de socorrer quando eclodem calamidades naturais em qualquer parte do mundo.
O Cubadebate elaborou um artigo a esse propósito a que juntou a estatística disponível sobre a actuação da Brigada Henry Reeves desde Setembro de 2005, a latitudes tão distintas como Guatemala, Paquistão, Bolívia, Indonésia, Peru, México e China.
O Google Earth passou a dar auxílio em tempo real de mapas e vídeos a fim de dar a sua contribuição para os socorros perante um terramoto 35 vezes mais potente que a bomba atómica que explodiu em Hiroshima e cujo epicentro se localizou a 15 km a sudoeste da capital Porto Príncipe.
África uma vez mais prima pela ausência em relação às primeiras horas: não existem em África instrumentos capazes para prestar auxílio perante catástrofes do género em cima do acontecimento, também por que nas elites africanas não existe mais a cultura da solidariedade!
Angola inaugurou há poucos anos algumas capacidades de protecção civil que já têm feito intervenções pontuais meritórias dentro do território angolano, mas não estão preparadas para intervenções fora das fronteiras, muito menos fora de África.
“Ofuscado” com a propaganda massiva que foi montada com o CAN 2010, o povo angolano parece estar condenado a um torpor que contraria o que historicamente havia sido conseguido até 1985 com as “gloriosas FAPLA” e que teve como resultados finais as independências das ex-colónias portuguesas, do Zimbabwe, da Namíbia e o fim do regime de “apartheid” na África do Sul.
Haiti para a esmagadora maioria do povo angolano é algo desconhecido e isso muito embora o Haiti tenha uma história tão rica e inspiradora para o próprio movimento de libertação em África.
A inibição para a solidariedade internacional, um produto do capitalismo de desastre que atingiu Angola a partir da “guerra dos diamantes de sangue” e tem continuidade na “terapia de choque” que está a ser aplicada por um regime de tendência neo liberal cada vez mais evidente que se lhe sucedeu apesar do “socialismo democrático” do MPLA, para aqueles que continuam a ser consequentes e respeitosos do sentido histórico do movimento de libertação, perturba tanto como os terramotos!
A lógica da vida impõe-se cada vez mais a todos os cidadãos do planeta e, especialmente nas horas mais difíceis, ficar de fora da solidariedade é um acto de lesa humanidade que a ninguém honra e eticamente a todos empobrece!
Eis a síntese que Cubadebate publicou acerca da actuação desde Setembro de 2005 da Brigada Henry Reeves:
Desde a sua constituição a Brigada Henry Reeve cumpriu missões em 7 países, com a presença de 4 156 colaboradores, dos quais, 2 840 são médicos. › Guatemala (Furacão Stan): 8 de Outubro de 2005, 687 colaboradores, dos quais 600 médicos. › Paquistão (Terramoto): 14 de Outubro de 2005, 2 564 colaboradores, dos quais 1 463 médicos. › Bolívia (inundações): 3 de Fevereiro de 2006 - 22 de Maio, 602 colaboradores, dos quais 601 médicos. › Indonésia (Terramoto): 16 de Maio de 2006, 135 colaboradores, dos quais 78 médicos. › Peru (Terramoto): 15 de Agosto de 2007 - 25 de Março de 2008, 79 colaboradores, dos quais 41 médicos. › México (inundações): 6 de Novembro de 2007 - 26 de Dezembro, 54 colaboradores, dos quais 39 médicos. › China (terramoto): 23 de Maio de 2008 - 9 de Junho, 35 colaboradores, dos quais 18 médicos. Foram salvas 4 619 pessoas. Prestaram-se consultas médicas a 3 milhões e 83 mil e 158 pacientes. Foram intervencionados cirurgicamente 18 898 pacientes. Instalaram-se um total de 36 hospitais de campanha completamente equipados, os quais foram doados por Cuba (32 ao Paquistão, 2 à Indonésia e 2 ao Peru). Beneficiaram-se com próteses de membros em Cuba 30 pacientes afectados pelo terramoto do Paquistão.
Martinho Júnior
Fonte: Página Um
Guantánamo, até quando?
Oito anos depois da abertura de Guantánamo, o campo de concentração dos Estados Unidos da América continua em pleno, apesar da promessa reiterada de Barack Obama de que o encerraria caso ganhasse as eleições presidenciais.
Lá dentro, neste momento, estão mais de 200 prisioneiros, que, tal como os outros 600 alegados terroristas que já por lá passaram, nunca foram apresentados em tribunal, digamos, de uma forma normal, sujeitos a uma acusação concreta e objectiva.
Com a cumplicidade activa de muitos e o silêncio de outros, Guantánamo parece que nunca chegou a acontecer. Portugal, por exemplo, perdeu a face e já nem se envergonha com a postura dos seus dirigentes envolvidos (António Guterres, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e José Sócrates) nesta tramóia gigante absolutamente ilegal.
Por isso, repete-se a pergunta lançada nestas páginas há quase dois anos: até quando?
As trapalhadas do Ministério da Educação
Depois do "aluguer" de criancinhas para aparecer na TV, da entrega de "Magalhães" para eleitor ver, que depois são recolhidos de novo, o governo Sócrates resolveu fazer o número do Relatório da OCDE. Assim, contratou e pagou a um grupo de peritos internacionais, por acaso ligados à OCDE, para fazer um relatório sobre as maravilhas realizadas no 1.º ciclo do ensino básico.
Ele foi o ensino do Inglês, da Educação Física, da Matemática em tempos extra-curriculares. Ora, todos sabemos como foram preparados, atribuídos e pagos os respectivos formadores.
Na cerimónia de apresentação de tão oportuno relatório, foram tecidos os maiores encómios ao ministério da dra. Maria de Lurdes e mais uma vez manifestado o apoio do primeiro Sócrates à mais contestada ministra do seu governo.
O relatório foi apresentado como sendo um relatório da OCDE, mais uma mentira o relatório foi encomendado conforme se pode ver no site do governo.
Por menores trapalhadas do que estas já caíram ministérios, mas este está de pedra e cal, para mal da educação no nosso país.