Um diplomata do Reino Unido acusou o ex-primeiro-ministro Tony Blair de "manipulação" por ter atribuído o fracasso da invasão ao Iraque à interferência do regime iraniano e da organização terrorista al-Qaeda.
Segundo Richard Dalton, ex-embaixador britânico no Irão e hoje membro do Instituto de Relações Internacionais, os próximos primeiros-ministros deveriam mostrar mais integridade que o ex-líder trabalhista em temas relacionados com a segurança mundial.
"Acho que a descrição (de Blair) do que ocorreu no Iraque durante todo esse tempo foi uma pura e simples manipulação", disse Dalton sobre o testemunho que Blair fez sexta-feira (na semana passada) à comissão que investiga a invasão ao Iraque.
No seu depoimento, Blair responsabilizou directamente o Irão e a al-Qaeda pelo caos e a violência nos quais o país árabe mergulhou depois de invadido pelas tropas do Reino Unido e dos Estados Unidos.
O ex-primeiro-ministro ainda aproveitou o seu testemunho para dizer que muitos dos argumentos usados para justificar a invasão poderiam hoje ser aplicados à República Islâmica.
Para muitos observadores, a declaração pareceu um aviso de que o mesmo pode acontecer com o Irão caso o regime dos aiatolás não mude de comportamento.
Ao depor, Blair disse ainda que, se o ditador Saddam Hussein não tivesse sido derrubado, hoje o Iraque poderia estar em uma corrida armamentista de tipo nuclear.
(das agências)

Cartoon de Martin Rowson publicado, esta semana, no jornal "Guardian"









